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Do combate


Diz uma bela página da literatura árabe, citada por Mansur Chalita: “a metade do mundo sempre te será adversa: se fores bom, os maus te combaterão; se fores mau, os bons te combaterão”.
É claro que existe ainda uma terceira possibilidade: não ser nem bom, nem mau. Isto significa não tomar uma posição diante da vida, passar o tempo todo fingindo não perceber o que acontece a nossa volta.
Quem age assim, não tem metade do mundo lutando contra si; tem o mundo inteiro contra. Por mais que tente agradar, só consegue desagradar a todos. Dá uma mão, e um braço lhe é pedido. Tenta corresponder uma expectativa, e termina decepcionando mais ainda.
Bem feito. Porque quem age assim, está evitando os desafios que todos nós temos que enfrentar.

Paulo Coelho
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Nunca vi o arco-íris

Mas não fique com pena. Na verdade eu vejo o arco-íris como qualquer um, só nunca acreditei muito nessa história de que existiam sete cores nele - no máximo, umas quatro ou cinco. Não me peça para dizer qual é qual.

O daltonismo foi assunto de matéria na Folha de ontem. Se 8% dos homens do mundo são daltônicos, possivelmente todo mundo conhece um monte de rapazes que, vez ou outra, compram lindas camisetas lilás no shopping dizendo que gostam de um azul-marinho. O rosa também está sempre presente no vestuário daltônico, mas, felizmente para nós, hoje em dia essas coisas alegres viraram moda, aparentemente.

Os daltônicos talvez só não tenham saído do armário. Porque, quando ele faz isso (ou se entrega falando alguma cor errada), ninguém acredita - isso não é daltonismo, imagina, é fanfarronice. Depois chove gente apontando para todos os lados e perguntando "que cor é aquela?". Nada divertido.

E tem muita gente que morre sem saber do seu daltonismo.
Quando eu era criança, decorava os números dos lápis de cor. Devo ter começado com isso depois de ter pintado algumas vezes lindas copas de árvores vermelhas e, claro, alguém ter me dito que aquilo estava meio estranho. Inocência infantil: me parecia um desperdício enorme aquelas caixas com 48 lápis coloridos. Eram tantos repetidos, afinal.

Apesar das dificuldades para entender as inovações da Faber Castell, é possível viver tranquilamente sendo daltônico. Tudo bem que nunca consegui ver um Internacional de Porto Alegre contra Palmeiras, mas não faz tanta falta assim. E um toque de injustiça: talvez eu não veja as ruivas exatamente do jeito que elas são.

É bom saber que, no futuro, talvez exista uma cura. Mas o interesse no tratamento surge mais por curiosidade de saber como é que, afinal, o resto do mundo vê as coisas do que por estar incomodado com o daltonismo.

Quem sabe você não é um de nós? Que número você vê no desenho abaixo? Pessoas com visão normal enxergam o número 74. Daltônicos, entretanto, podem ler o número 21 (talvez bem fraquinho) ou não conseguir ler nenhum número, dependendo do tipo de daltonismo que possuem.

Ricardo Mioto
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